- 20 de maio de 2026
- Posted by: admin
- Category: Operadoras de Planos de Saúde
A Agência Nacional de Saúde Suplementar publicou o Relatório de Gestão da Ouvidoria 2025 trazendo um dos sinais mais importantes dos últimos anos sobre o cenário da saúde suplementar brasileira.
O dado que mais chama atenção é direto:
71% dos usuários disseram que suas demandas NÃO foram resolvidas.
Além disso:
- 55% afirmaram estar “muito insatisfeitos”;
- a principal causa de insatisfação passou a ser a baixa qualidade e objetividade das respostas;
- manifestações relacionadas ao Rol de Procedimentos cresceram 124,5%;
- a demora relacionada às demandas NIP permaneceu como principal tema das manifestações da ouvidoria.
Esses números mostram algo muito maior do que um problema operacional.
Eles indicam que a saúde suplementar brasileira atravessa uma crise de percepção, experiência e confiança.
O problema deixou de ser apenas cobertura
Durante muitos anos, grande parte da discussão da saúde suplementar esteve concentrada em:
- cobertura;
- reajuste;
- autorização;
- negativa;
- fiscalização.
Esses temas continuam relevantes.
Porém, o relatório da ouvidoria mostra uma mudança importante:
o beneficiário passou a avaliar também a experiência vivida durante o processo.
Hoje, o usuário quer:
- clareza;
- previsibilidade;
- comunicação objetiva;
- sensação de acolhimento;
- percepção de resolução.
Quando isso não acontece, cresce:
- o desgaste reputacional;
- a judicialização;
- a exposição digital negativa;
- a perda de confiança institucional.
O problema atual não é apenas técnico.
É emocional, reputacional e estratégico.
A experiência do beneficiário virou tema regulatório
O relatório mostra que a experiência do beneficiário passou a ocupar posição central dentro da atuação regulatória.
Isso aparece de forma clara quando a própria ANS reconhece:
- problemas relacionados à objetividade das respostas;
- dificuldades de comunicação;
- excesso de linguagem técnica;
- baixa percepção de resolutividade.
Em resposta a isso, a agência implementou iniciativas como o projeto “Simplificar Ouvidoria”, baseado em:
- linguagem simples;
- clareza;
- legibilidade;
- revisão textual;
- redução do burocratês.
Esse movimento é extremamente relevante para as operadoras.
Porque ele sinaliza que:
não basta mais apenas cumprir processo.
Agora importa também:
como o beneficiário percebe o atendimento.
O dado mais perigoso para as operadoras
O dado dos 71% talvez seja um dos mais perigosos dos últimos anos para o setor.
Isso porque ele revela:
baixa sensação de resolução.
Na prática, isso significa aumento de:
- desgaste reputacional;
- reclamações recorrentes;
- reabertura de demandas;
- pressão sobre ouvidorias;
- ações judiciais;
- reclamações em redes sociais;
- pressão regulatória.
Muitas operadoras ainda enxergam a ouvidoria apenas como:
- canal de atendimento;
- etapa obrigatória;
- exigência regulatória.
Esse modelo está ficando ultrapassado.
A ouvidoria moderna precisa funcionar como:
- sensor estratégico;
- radar reputacional;
- núcleo preventivo de judicialização;
- inteligência regulatória;
- monitor de experiência do beneficiário.
A demora continua sendo um dos maiores problemas
O relatório mostra que:
24,2% das manifestações próprias de ouvidoria estavam relacionadas à demora na resposta da demanda ou processo.
Grande parte dessas demandas estava associada à análise preliminar de NIP.
Apesar da redução em relação ao ano anterior, o tema continua liderando as manifestações.
Isso demonstra que:
tempo de resposta continua sendo indicador crítico de percepção do beneficiário.
Hoje, demora não gera apenas insatisfação operacional.
Ela gera:
- sensação de abandono;
- insegurança;
- perda de confiança;
- percepção de omissão.
O crescimento das reclamações sobre Rol preocupa o setor
Outro ponto extremamente relevante do relatório foi o crescimento de 124,5% das manifestações relacionadas ao Rol de Procedimentos.
Grande parte desse crescimento está relacionada a:
- TEA;
- tratamentos;
- inclusão de procedimentos;
- cobertura assistencial.
Isso mostra que o Rol deixou de ser apenas um tema técnico.
Hoje ele possui impacto:
- emocional;
- reputacional;
- jurídico;
- político.
Operadoras que não conseguirem comunicar adequadamente:
- critérios;
- cobertura;
- diretrizes;
- limites assistenciais;
- regras regulatórias;
tendem a ampliar:
- judicialização;
- desgaste digital;
- conflitos assistenciais;
- pressão reputacional.
Linguagem técnica virou risco reputacional
Talvez um dos pontos mais importantes do relatório seja o reconhecimento de que:
a baixa qualidade e objetividade das respostas passou a ser a principal causa de insatisfação.
Isso revela um problema estrutural do setor.
Muitas respostas ainda são:
- excessivamente técnicas;
- frias;
- padronizadas;
- difíceis de entender;
- carregadas de termos regulatórios.
O resultado é previsível:
o beneficiário sente que:
- não foi ouvido;
- não foi acolhido;
- não foi compreendido.
Na prática, comunicação ruim aumenta:
- conflito;
- desgaste;
- reincidência;
- retrabalho;
- judicialização.
O que as operadoras precisam fazer agora
O relatório praticamente entrega um roadmap estratégico para operadoras de saúde suplementar.
Algumas ações passam a ser fundamentais.
1. Transformar a ouvidoria em inteligência estratégica
A ouvidoria precisa produzir:
- indicadores;
- BI regulatório;
- análise de reincidência;
- análise de causas raiz;
- monitoramento reputacional.
2. Reduzir linguagem técnica
As respostas precisam ser:
- claras;
- humanas;
- objetivas;
- compreensíveis.
3. Integrar áreas críticas
Ouvidoria não pode atuar isoladamente.
Ela precisa estar conectada com:
- jurídico;
- autorização;
- auditoria;
- atendimento;
- relacionamento;
- compliance;
- governança.
4. Medir experiência do beneficiário
Operadoras precisam acompanhar indicadores como:
- reincidência;
- tempo de resposta;
- retrabalho;
- satisfação;
- percepção de resolução;
- NIP;
- judicialização.
A saúde suplementar entrou na era da confiança
O maior insight do relatório talvez seja este:
A saúde suplementar brasileira entrou definitivamente na era da experiência e da confiança.
Antes, o foco principal estava em:
- conformidade;
- regra;
- processo;
- fiscalização.
Agora, cresce a pressão sobre:
- percepção;
- transparência;
- comunicação;
- experiência;
- confiança institucional.
Isso muda completamente a forma como operadoras precisarão estruturar:
- ouvidoria;
- relacionamento;
- governança;
- experiência do beneficiário;
- comunicação regulatória.
Conclusão
O beneficiário não quer apenas uma resposta formal.
Ele quer:
- clareza;
- previsibilidade;
- transparência;
- sensação de acolhimento;
- confiança.
O relatório da ouvidoria da ANS mostra que:
a experiência do beneficiário se tornou um tema estratégico para a sustentabilidade do setor.
Operadoras que não evoluírem:
- linguagem;
- experiência;
- comunicação;
- resolutividade percebida;
- inteligência regulatória;
tendem a ampliar:
- desgaste reputacional;
- judicialização;
- pressão regulatória;
- perda de confiança.
A ouvidoria deixou de ser apenas atendimento.
Ela está se tornando um dos principais centros estratégicos da saúde suplementar moderna.
Sua operadora mede apenas processos?
Ou mede também:
- percepção;
- experiência;
- reincidência;
- risco reputacional;
- resolutividade?
Faça um diagnóstico estratégico da sua operação.