Por que 71% dos usuários não se sentem resolvidos pela ANS?

A Agência Nacional de Saúde Suplementar publicou o Relatório de Gestão da Ouvidoria 2025 trazendo um dos sinais mais importantes dos últimos anos sobre o cenário da saúde suplementar brasileira.

O dado que mais chama atenção é direto:

71% dos usuários disseram que suas demandas NÃO foram resolvidas.

Além disso:

  • 55% afirmaram estar “muito insatisfeitos”;
  • a principal causa de insatisfação passou a ser a baixa qualidade e objetividade das respostas;
  • manifestações relacionadas ao Rol de Procedimentos cresceram 124,5%;
  • a demora relacionada às demandas NIP permaneceu como principal tema das manifestações da ouvidoria.

Esses números mostram algo muito maior do que um problema operacional.

Eles indicam que a saúde suplementar brasileira atravessa uma crise de percepção, experiência e confiança.

O problema deixou de ser apenas cobertura

Durante muitos anos, grande parte da discussão da saúde suplementar esteve concentrada em:

  • cobertura;
  • reajuste;
  • autorização;
  • negativa;
  • fiscalização.

Esses temas continuam relevantes.

Porém, o relatório da ouvidoria mostra uma mudança importante:
o beneficiário passou a avaliar também a experiência vivida durante o processo.

Hoje, o usuário quer:

  • clareza;
  • previsibilidade;
  • comunicação objetiva;
  • sensação de acolhimento;
  • percepção de resolução.

Quando isso não acontece, cresce:

  • o desgaste reputacional;
  • a judicialização;
  • a exposição digital negativa;
  • a perda de confiança institucional.

O problema atual não é apenas técnico.

É emocional, reputacional e estratégico.

A experiência do beneficiário virou tema regulatório

O relatório mostra que a experiência do beneficiário passou a ocupar posição central dentro da atuação regulatória.

Isso aparece de forma clara quando a própria ANS reconhece:

  • problemas relacionados à objetividade das respostas;
  • dificuldades de comunicação;
  • excesso de linguagem técnica;
  • baixa percepção de resolutividade.

Em resposta a isso, a agência implementou iniciativas como o projeto “Simplificar Ouvidoria”, baseado em:

  • linguagem simples;
  • clareza;
  • legibilidade;
  • revisão textual;
  • redução do burocratês.

Esse movimento é extremamente relevante para as operadoras.

Porque ele sinaliza que:
não basta mais apenas cumprir processo.

Agora importa também:
como o beneficiário percebe o atendimento.

O dado mais perigoso para as operadoras

O dado dos 71% talvez seja um dos mais perigosos dos últimos anos para o setor.

Isso porque ele revela:
baixa sensação de resolução.

Na prática, isso significa aumento de:

  • desgaste reputacional;
  • reclamações recorrentes;
  • reabertura de demandas;
  • pressão sobre ouvidorias;
  • ações judiciais;
  • reclamações em redes sociais;
  • pressão regulatória.

Muitas operadoras ainda enxergam a ouvidoria apenas como:

  • canal de atendimento;
  • etapa obrigatória;
  • exigência regulatória.

Esse modelo está ficando ultrapassado.

A ouvidoria moderna precisa funcionar como:

  • sensor estratégico;
  • radar reputacional;
  • núcleo preventivo de judicialização;
  • inteligência regulatória;
  • monitor de experiência do beneficiário.

A demora continua sendo um dos maiores problemas

O relatório mostra que:
24,2% das manifestações próprias de ouvidoria estavam relacionadas à demora na resposta da demanda ou processo.

Grande parte dessas demandas estava associada à análise preliminar de NIP.

Apesar da redução em relação ao ano anterior, o tema continua liderando as manifestações.

Isso demonstra que:
tempo de resposta continua sendo indicador crítico de percepção do beneficiário.

Hoje, demora não gera apenas insatisfação operacional.

Ela gera:

  • sensação de abandono;
  • insegurança;
  • perda de confiança;
  • percepção de omissão.

O crescimento das reclamações sobre Rol preocupa o setor

Outro ponto extremamente relevante do relatório foi o crescimento de 124,5% das manifestações relacionadas ao Rol de Procedimentos.

Grande parte desse crescimento está relacionada a:

  • TEA;
  • tratamentos;
  • inclusão de procedimentos;
  • cobertura assistencial.

Isso mostra que o Rol deixou de ser apenas um tema técnico.

Hoje ele possui impacto:

  • emocional;
  • reputacional;
  • jurídico;
  • político.

Operadoras que não conseguirem comunicar adequadamente:

  • critérios;
  • cobertura;
  • diretrizes;
  • limites assistenciais;
  • regras regulatórias;

tendem a ampliar:

  • judicialização;
  • desgaste digital;
  • conflitos assistenciais;
  • pressão reputacional.

Linguagem técnica virou risco reputacional

Talvez um dos pontos mais importantes do relatório seja o reconhecimento de que:
a baixa qualidade e objetividade das respostas passou a ser a principal causa de insatisfação.

Isso revela um problema estrutural do setor.

Muitas respostas ainda são:

  • excessivamente técnicas;
  • frias;
  • padronizadas;
  • difíceis de entender;
  • carregadas de termos regulatórios.

O resultado é previsível:
o beneficiário sente que:

  • não foi ouvido;
  • não foi acolhido;
  • não foi compreendido.

Na prática, comunicação ruim aumenta:

  • conflito;
  • desgaste;
  • reincidência;
  • retrabalho;
  • judicialização.

O que as operadoras precisam fazer agora

O relatório praticamente entrega um roadmap estratégico para operadoras de saúde suplementar.

Algumas ações passam a ser fundamentais.

1. Transformar a ouvidoria em inteligência estratégica

A ouvidoria precisa produzir:

  • indicadores;
  • BI regulatório;
  • análise de reincidência;
  • análise de causas raiz;
  • monitoramento reputacional.

2. Reduzir linguagem técnica

As respostas precisam ser:

  • claras;
  • humanas;
  • objetivas;
  • compreensíveis.

3. Integrar áreas críticas

Ouvidoria não pode atuar isoladamente.

Ela precisa estar conectada com:

  • jurídico;
  • autorização;
  • auditoria;
  • atendimento;
  • relacionamento;
  • compliance;
  • governança.

4. Medir experiência do beneficiário

Operadoras precisam acompanhar indicadores como:

  • reincidência;
  • tempo de resposta;
  • retrabalho;
  • satisfação;
  • percepção de resolução;
  • NIP;
  • judicialização.

A saúde suplementar entrou na era da confiança

O maior insight do relatório talvez seja este:

A saúde suplementar brasileira entrou definitivamente na era da experiência e da confiança.

Antes, o foco principal estava em:

  • conformidade;
  • regra;
  • processo;
  • fiscalização.

Agora, cresce a pressão sobre:

  • percepção;
  • transparência;
  • comunicação;
  • experiência;
  • confiança institucional.

Isso muda completamente a forma como operadoras precisarão estruturar:

  • ouvidoria;
  • relacionamento;
  • governança;
  • experiência do beneficiário;
  • comunicação regulatória.

Conclusão

O beneficiário não quer apenas uma resposta formal.

Ele quer:

  • clareza;
  • previsibilidade;
  • transparência;
  • sensação de acolhimento;
  • confiança.

O relatório da ouvidoria da ANS mostra que:
a experiência do beneficiário se tornou um tema estratégico para a sustentabilidade do setor.

Operadoras que não evoluírem:

  • linguagem;
  • experiência;
  • comunicação;
  • resolutividade percebida;
  • inteligência regulatória;

tendem a ampliar:

  • desgaste reputacional;
  • judicialização;
  • pressão regulatória;
  • perda de confiança.

A ouvidoria deixou de ser apenas atendimento.

Ela está se tornando um dos principais centros estratégicos da saúde suplementar moderna.

Sua operadora mede apenas processos?

Ou mede também:

  • percepção;
  • experiência;
  • reincidência;
  • risco reputacional;
  • resolutividade?

Faça um diagnóstico estratégico da sua operação.



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